Apneia Obstrutiva do Sono

UM TRATAMENTO ASSOCIADO A ODONTOLOGIA

S.O.A.S. Uma doença crônica, progressiva, incapacitante, com alta mortalidade e morbidade vascular.

A medicina tem identificado três tipos básicos de apneia que começa na criança e se estende ao adulto. A primeira, apneia obstrutiva é a mais grave com a obstrução das vias aéreas superiores (cavidade nasal boca e faringe).

Os respiradores bucais com deglutição atípica, caraterizado pela síndrome do respirador bucal, com aumento da idade é o agravante da doença que por retração da mandíbula e outras causas como o aumento do tecido adiposo, tumores, traumas e alergias medicamentosas também agravam a doença.

A segunda, apneia central se caracteriza quando a passagem do ar pelas vias aéreas superiores ficam abertas sem obstrução, mas os músculos do peito e o diafragma param de trabalhar provocando o despertar constante do indivíduo à noite e tendo que realizar vários movimentos para voltar a respirar tornando um sono difícil com consequências graves para a saúde e sua qualidade de vida.

Apneia central tem uma relação direta com a síndrome do respirador bucal por apresentar constantes fases de hipoxemia cerebral aumentando a hipertensão pulmonar por um período maior o que torna este tipo de apneia preocupante.

A terceira é a apneia mista uma combinação das apneias central e obstrutiva. “Pacientes com mais de 30 paradas respiratórias por noite ou de 7 a 10 vezes por hora e por período maior que 30 segundos pode ser considerada apneia grave e neste caso tem um alto índice de mortalidade por infarto do miocárdio ou arritmia aguda.

No Brasil os números apontam um aumento risco de mortalidade de 32% em um período de 9 anos”, alerta o neurologista Shigueo Yonekura. Este tipo de apneia envolve hoje 9% da população masculina de meia idade entre 30 e 60 anos sendo o sexo masculino o mais afetado e 4% da população feminina.

As apneias sempre estiveram associadas ao ronco, sendo este é considerado um estágio avançado de um tipo de apneia. Sabemos que 35% dos roncadores já apresentam algum tipo grave de apneia.

A síndrome da privação do sono pela obstrução respiratória também está associada a extrações dentárias na adolescência. O que preocupa é que nesta fase do desenvolvimento da face, a indicação de aparelhos ortodônticos com indicação de extrações de pré-molares e terceiros molares (cisos) sempre terá perda óssea com a perda de espaço a língua se posiciona para a parte posterior da cavidade bucal tornando o espaço faríngeo menor dificultando a passagem do ar nasal e aumentando o hábito de respirar pela boca o que o coloca dentro da síndrome do respirador bucal fazendo com que estes indivíduos apresentem hipoxemia durante o sono apresentando variáveis de comportamento de agressividade ou sonolência diurna sem diagnóstico específico ou patológico simplesmente por falta de função mínima do aparelho estomatognático ou respiratório, sem citarmos as obstruções por patologias localizadas ou obstruções medicamentosas que também são responsáveis por estas disfunções.

Trabalhos citam, que nem todo ronco é um problema sério mas sempre indicam e recomendam uma consulta imediata a um especialista para um diagnóstico tanto médico como odontológico especializado.

Sabemos que as apneias estão relacionadas com cardiopatias graves e que correm risco importante de lesões ou morte nos portadores desta doença.

Sabemos também que crianças respiradoras bucais tem um importante indicador se não tratadas e quando adultos associados a extrações dentais podem apresentar quadros de apneias graves e com maiores riscos de patologias pulmonares ou infarto do miocárdio.

Na odontologia mais especificamente na especialidade da odontopediatria que identificamos as primeiras alterações de função dos órgãos da face, já como resultado da síndrome do respirador bucal e deglutição atípica. Neste momento que a odontologia entra como uma grande aliada ao desenvolvimento da prevenção na apneia obstrutiva do sono.

Nas especialidades de ortopedia funcional dos maxilares juntamente com a odontopediatria poderemos ter um diagnóstico correto para iniciar um trabalho preventivo das apneias e de patologias do aparelho respiratório, digestivo e de alguns tipos de cefaleias.

A odontologia tem nestes últimos anos tem trabalhado muito na manutenção das funções dos órgãos da face manutenção dos dentes numa relação direta com a saúde e a qualidade de vida e do indivíduo.
A odontologia neste último século modificou o paradigma a visão e o foco de seu trabalho. Buscou em primeiro lugar a ‘tecnificação’ da boca e por último o dente. Em outras épocas remotas era o dente único trabalho do cirurgião dentista, mas hoje neste século XXI o paradigma foi expandido para que o homem fosse o ponto de partida para o estudo da saúde individual.

Primeiramente o paciente depois a boca deste paciente e por fim o dente
Esta foi sem dúvida a grande mudança de paradigma da odontologia, focando no homem a função dos órgãos como meta de seu trabalho, e não a doença como era ano século XX.

Saúde com qualidade de vida é um novo conceito para o século XXI.

As funções da boca do paciente como meta para a prevenção e manutenção da saúde com qualidade de vida.
A saúde com qualidade de vida do homem no século XXI passa obrigatoriamente pela odontologia.

Referências bibliográficas

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